Apresento-lhes um projeto humilde, porém entusiasmado. Edificado em parceria com amigos e colegas da universidade, Plural constitui-se como “uma arena interlocutiva que deverá se relacionar com a subjetividade de quem lhe repousar os olhos”. 
Tamiris Machado
O livro está disponível no endereço eletrônico http://www.clubedeautores.com.br/book/121076—Plural

Apresento-lhes um projeto humilde, porém entusiasmado. Edificado em parceria com amigos e colegas da universidade, Plural constitui-se como “uma arena interlocutiva que deverá se relacionar com a subjetividade de quem lhe repousar os olhos”. 

Tamiris Machado

O livro está disponível no endereço eletrônico http://www.clubedeautores.com.br/book/121076—Plural


O que é literatura?

 

Sentimento externalizado

Reunindo-se a outras vozes

Dividindo um pensar por vezes

profundo. Falara de amor, do tempo,

de infortúnios. Tecera comentátios acerca

da vida, cantara chegadas, lamentara despedidas…

e tudo está ali, a sussurrar quieto. Em melodia de gaveta

meus versos esperam ser Poema. Se a literatura é um produto

social, eles não existem. Não são literatura, porque conversarem apenas

comigo. Autor, mãe, fã, amigo… interlocutor… ou seria um ator em monólogo?

Tamiris Machado

 


Azul

Natalia Clavier

 

Llegaste, hasta mi como un atardecer de Otoño,

cambiaste, forma y color de todo a mi alrededor,

recuerdo, la manera en que te mostraste

tendiendo tu mano amiga y


trayendo la luz, me diste al fin 
un mundo de razones para resurgir
Tu, tú poderoso y azul, tú
tú, luminoso y azul, tú. 

Sembraste, flores de color carmín en mis desiertos
dejaste, en algún lugar lejano mi inseguridad 
recuerdo, la manera en que te mostraste
tendiendo tu mano amiga y 
trayendo la luz, me diste al fin 
un mundo de razones para resurgir

Tu, tú poderoso y azul, tú
tú, luminoso y azul, tú.

Azul…

azul…

un sendero azul, 

azul…


Yo persigo una forma…

Yo persigo una forma que no encuentra mi estilo,
botón de pensamiento que busca ser la rosa;
se anuncia con un beso que en mis labios se posa
el abrazo imposible de la Venus de Milo.

Adornan verdes palmas el blanco peristilo;
los astros me han predicho la visión de la Diosa;
y en mi alma reposa la luz como reposa
el ave de la luna sobre un lago tranquilo.

Y no hallo sino la palabra que huye,
la iniciación melódica que de la flauta fluye
y la barca del sueño que en el espacio boga;

y bajo la ventana de mi Bella-Durmiente,
el sollozo continuo del chorro de la fuente
y el cuello del gran cisne blanco que me interroga.

    Rubén Darío: Prosas Profanas (1896-1901)


Quién hubiera creído que se hallaba 
sola en el aire, oculta, 
tu mirada. 
Quién hubiera creído esa terrible 
ocasión de nacer puesta al alcance 
de mi suerte y mis ojos, 
y que tú y yo iríamos, despojados 
de todo bien, de todo mal, de todo, 
a aherrojarnos en el mismo silencio, 
a inclinarnos sobre la misma fuente 
para vernos y vernos 
mutuamente espiados en el fondo, 
temblando desde el agua, 
descubriendo, pretendiendo alcanzar 
quién eras tú detrás de esa cortina, 
quién era yo detrás de mí. 
Y todavía no hemos visto nada. 
Espero que alguien venga, inexorable, 
siempre temo y espero, 
y acabe por nombrarnos en un signo, 
por situarnos en alguna estación 
por dejarnos allí, como dos gritos 
de asombro. 
Pero nunca será. Tú no eres ésa, 
yo no soy ése, ésos, los que fuimos 
antes de ser nosotros. 
Eras sí pero ahora 
suenas un poco a mí. 
Era sí pero ahora 
vengo un poco a ti. 
No demasiado, solamente un toque, 
acaso un leve rasgo familiar, 
pero que fuerce a todos a abarcarnos 
a ti y a mí cuando nos piensen solos. 

Mario Benedetti

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“Desenhar é preciso”

 

Lápis, papel, caneta de feltro

Instrumentos por ti amados

Adorados ao incremento da cor

 

Linha, sombra, luz, sentimento

Doces moldes, rostos perfeitos

Um conjunto de sensações nos revela teu traço

 

Observamos admirados

Tuas mãos cinestésicas

Em livre compasso…

 

Criando formas; doando-lhes tempo

Acariciando-nos os olhos,

Convencendo-nos: desenhar é preciso!

Tamiris Machado


Poderes

Puedo imaginarme

atrapándote en esta telaraña.

_____

Puedo imaginarme

penetrándote los vacíos.

_______

Puedo imaginarme

amándote sacramente.

______

Puedo imaginarme

salvándote con la alegría.

______

Puedo imaginarme

rehaciendo todos los comienzos.

_______

Puedo imaginar.

No cambiar la vida.

____

Aimée G. Bolaños. In - El livro de Maat


Dedicação

Entrego-te as minhas curvas

Em versos ingênuos

Tão sem sentido a olhos despreparados.

 

Entrego-te as minhas curvas

Nos surrurros não ditos

Tão vazios em ouvidos pouco treinados.

 

Entrego-te as minhas curvas

Por entre olhares fugidios

Tão por acaso

Aos que passam despreocupados.

 

Entrego-te as minhas curvas

A ti, no gosto da boca

Que te dera tão cheia de significado.

Tamiris Machado 


Desaforo

Encasquestei com o relógio

Ele não toca

Ele não passa

- por birra -

Me consome, ansiosa.

 

Por que o tempo é relativo?

Pela tua demora?

Pela minha espera?

Porque faltam horas?

 

Não aceito a lentidão

dos passos

a calma com que transcorrem os dias

 

me importa a vontade

a saudade que grita!

 

Então, não me venha com teorias…

Tamiris Machado


Quero

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.

No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

Carlos Drummond de Andrade